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Site de relacionamentos - ParPerfeito

Site de relacionamentos - ParPerfeito


Tenho sido procurada por psicólogos e profissionais da área de comunicação que estão estudando e realizando trabalhos acadêmicos sobre sites de relacionamentos, relacionamentos virtuais, sexo virtual. Desejam tirar dúvidas, compreender melhor esse meio de comunicação, como é usado, os resultados etc. a partir de minha experiência prática aqui no ParPerfeito, orientando e esclarecendo dúvidas de usuários.

Eu diria que a amostragem das cartas endereçadas ao "Thaïs Responde" não é válida para se avaliar os resultados obtidos pela maioria das pessoas que freqüentam o site. Não se pode simplificar esse tipo de experiência e sabemos que todo raciocínio linear é perigoso. Tirar conclusões por meia dúzia de cartas onde homens e mulheres se queixam porque seus contatos não têm prosseguimento seria precipitado, uma vez que a maioria dos usuários ainda não recorre a essa página.

Não estamos diante de um fenômeno ligado às ciências "exatas" e, sim, diante da complexidade das relações humanas, sociais. É um grande universo cheio de singularidades, o que garante a singularidade dos resultados obtidos.

Não se pode dizer que as pessoas que procuram um site de relacionamentos tenham necessariamente uma característica básica em comum. Ao mesmo tempo, poderíamos comparar um site desse tipo a um baile de máscaras, como os que existiam antigamente. As pessoas não eram identificadas com facilidade e sentiam-se mais à vontade para brincar de "faz de conta", comportando-se de forma mais ousada.

A diferença, aqui, é que alguns usam a máscara para não serem identificados, comportando-se de forma inconveniente; outros, para "fazer de conta" e viver o "como se": "Vou aparecer "como se" fosse um homem rico, bonito, sedutor, embora não seja nem consiga ser nada disso na realidade. Existem, ainda, aqueles que não usam máscara alguma e se apresentam como de fato são: uns por ingenuidade, outros por autoconfiança.

Existem os que, pensando se ocultar atrás de um "nick " e dados falsos, se revelam, no entanto, pelo raciocínio que desvelam ao se expressar por escrito e pela própria maneira de escrever. O nível cultural e educacional da pessoa quase sempre escapa a seu controle num contato on line. Se uma pessoa escreve com muitos erros de português, não adianta: ela não vai conseguir convencer ninguém de que é uma pessoa culta, que teve uma educação e/ou uma formação esmeradas. A inteligência pode ser disfarçada (é possível fazer-se passar por bobo), mas não a falta dela. As boas intenções e a sinceridade podem ser apenas aparentes, tanto quanto ocorre num convívio de anos...

Muitas pessoas têm conseguido o que desejam num site como o ParPerfeito. Tal como na vida, são, em geral, as mais experientes, as menos inseguras, as mais atentas e as que sabem o que querem. A ingenuidade é uma característica que interfere de forma negativa na obtenção de bons resultados (fazer amigos, conquistar namorados, por exemplo) e nada tem a ver com a sinceridade; muito pelo contrário! Uma pessoa pode ser sincera por ingenuidade, isto é, em situações em que não deveria ser. Outras são sinceras dizendo o que pensam de si e contando suas experiências, mas segundo o modo como as interpretaram ou entenderam, o que implica a possibilidade de estarem passando ao outro, mesmo sem querer, dados falsos.

Pessoas muito reprimidas e medrosas deixam de correr riscos plenamente controláveis, restringindo, com isso, a possibilidade de conhecer melhor outras pessoas. Sentem medo de se apegar a pessoas erradas. O "erro", todavia, pode estar nelas, por se apegarem indiscriminadamente e de imediato a um desconhecido, muitas vezes antes do primeiro encontro, seja por neurose ou carência.

Os sites de relacionamento se aperfeiçoam, do ponto de vista técnico, mais rapidamente do que as idéias das pessoas a seu respeito. Muitos acreditam que para se inscrever nesse tipo de site, é preciso que a pessoa não tenha qualidades ou competência para conseguir alguém por outros meios. Pessoas conservadoras, que custam a assimilar o "novo", insistem em explorar este espaço como um território desprovido de lei, como pichadores que atuam durante a madrugada, ou como crianças, que fazem bagunça longe dos olhos do professor.

Tanto isso é verdade, que muitos se envergonham de exibir suas fotos, pois temem ser confundidos e, com isso, criticados pelos que os conhecem. Já disseram aqui: "Vão dizer que eu estou tão por baixo que cheguei ao ponto de entrar num site de relacionamentos para conseguir encontrar uma companheira". Uma pessoa que pensa dessa forma, ao encontrar alguém no site, e apesar de conhecer esse alguém pessoalmente e ter até uma boa impressão, tende a manter estereótipos: "Existe algo de errado com ela: ou quer se divertir, ou tem algum problema."

Um de nossos usuários se queixou que, mesmo tendo os predicados que a maioria das mulheres deseja encontrar num homem, está tendo dificuldades, a meu ver, justamente por isso. "Elas não acreditam, acham que estou mentindo ou que já tenho namorada", diz ele. Creio, porém, que lhe falta uma percepção suficientemente apurada e que talvez invista seu tempo em pessoas que poderia eliminar mais rapidamente, se fosse mais atento e confiasse mais em si próprio. Todavia, tudo tem seu lado positivo: pode ser que, com isso, esteja conseguindo afastar pessoas que não sejam de seu mesmo nível e, sim, do nível dos que pensam: "de esmola grande cego desconfia". Solução: continuar as buscas até que surja uma mulher que tenha uma boa auto-estima e não pense que pode haver alguma coisa "boa demais" para ser verdade.

Infelizmente é cada vez menor o número de pessoas que usa a própria cabeça para julgar as situações e tirar suas conclusões sobre elas. Alguém conta que teve tal experiência, conheceu fulana ou fulano e que aconteceu isso e aquilo. Isto é suficiente para que se rotulem os sites de relacionamento, que passam a ser vistos como um lugar onde só acontece o que se ouviu contar. A maioria se deixa guiar pelo pensamento dos outros, cristaliza idéias.

Os que se inscrevem no site podem mudar de opinião, caso tenham um olhar crítico, e consigam ser "um" e não apenas "mais um", qual ovelhas num rebanho. A mentalidade masculina tradicionalista, composta, em geral, de homens pouco viajados e de nível social e educacional menos privilegiado, não absorve bem uma das regras básicas dos sites de relacionamento, que é: "Procurem ativamente encontrar quem procuram." Quando as mulheres tomam a iniciativa de procurá-los, alguns homens as taxam de pouco recatadas e a partir desse pensamento ultrapassado podem tratá-las de forma desrespeitosa, sem nenhuma consideração.

A mentalidade tradicionalista das mulheres a levam a desejar corresponder às expectativas masculinas, procurando agradá-los e se enquadrar em modelos de dependência, hoje superados pelas conquistas femininas. Mulheres inteligentes e seguras profissionalmente tornam-se frágeis e inseguras quando um homem desaparece depois de algumas trocas de e-mails ou depois de se conhecerem pessoalmente. Inquietam-se: "O que eu tenho de errado? O que eu fiz de errado?" Se ela não foi espontânea e tentou se anular diante do homem cobiçado, a resposta pode ser justamente essa. Se mostrou-se descontraída e comportou-se nesses contatos da forma como é e a relação não prosseguiu, por que não imaginar que possa haver algo de errado com esse homem e não com ela?

Na verdade, os sites de relacionamentos têm como objetivo ampliar as possibilidades de que as pessoas façam novas relações, não importa de que tipo sejam, contanto que correspondam ao objetivo de cada uma. O nome ParPerfeito procura falar ao desejo inconsciente de cada um, que se sabe, porém irrealizável, uma vez que não existem pessoas perfeitas. Os pares perfeitos são aqueles que ao se encontrarem descobrem afinidades em vários níveis e que não deixam passar as boas oportunidades. O preenchimento criativo e atraente do perfil pode contribuir para aumentar as chances de que isso possa vir a acontecer, mas jamais garantir, por si só, que isso aconteça.

Thaïs Sá Pereira e Oliveira
Psicóloga e Psicanalista da
Coluna "Thaïs Responde"

escrito por

Dra. Thais Oliveira:

36 anos de prática psicanalítica e 8 anos com grupos terapêuticos mistos em consultório particular; 6 anos de experiência com grupos de discussão; Formação em psicologia na PUC-Rio; Especialização em Psicologia Clínica, Formação psicanalítica e em Grupoterapia na Soc. de Psicanálise Iracy Doyle, Rio.